C. considerava-se uma pessoa de respeito, mas lutava constantemente consigo; afinal, não sabia pintar. As expressões mancas do erro resultavam ora em gritos e discussões, ora em quietute e isolamento. Ambos solitariamente extravagantes, extraviados, extremados. De qualquer maneira, a possibilidade de escrita era inviável. A escuta também o era; desafinado, não sabia não saber. Ora, diante de tudo isso pegou a gravata escondida há alguns meses no armário. A cor vermelho-rubi contracenava com o pijama puramente branco. Mas não se mataria antes de ter um filho. A culpa deveria ser indubitável.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
A limpeza
- "Deus amou a limpeza", dizia o Doutor que, abismado, limpava a mesa de cirurgia após ser interpelado quase que aos berros por algo estranho que apareceu sem ser convidado.
Fumando um cachimbo e vestindo branco aquela espécie de pombo-sem-asas fazia ressoar, entre os estranhos sons que exsurgiam dos seus falsos pulmões, "todo mafioso é cristão".
A cirurgia, como era de se esperar, não foi exitosa e o paciente morreu com a venda nos olhos.
Fumando um cachimbo e vestindo branco aquela espécie de pombo-sem-asas fazia ressoar, entre os estranhos sons que exsurgiam dos seus falsos pulmões, "todo mafioso é cristão".
A cirurgia, como era de se esperar, não foi exitosa e o paciente morreu com a venda nos olhos.
----
Assinar:
Postagens (Atom)