sábado, 29 de novembro de 2008

A Flor da Pele: sexualidade em tela (II) - Magritte

R. Magritte. "O Universo Proibido". 1943
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R. Magritte. "O Estupro". 1934

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R. Magritte. "A Filosofia no Quarto de Dormir". 1966



quarta-feira, 26 de novembro de 2008

O Reino da Mentira e o Estatuto do Delírio, ou: o impossível quadro narrado...

Para Ricardo Timm de Souza
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O relógio estava de costas. Mas isso não indicava, por incrível que pareça, que o tempo estava paralisado. Há sempre uma distância entre o por-do-sol e o pôr-do-Sol. Intocável distância sensível: barreira intransponível para sermos o Sol mesmo. Como aquele mestre palestrante que enche sua mesa ou seu púlpito de livros para proteger-se, blindar-se, à melancolia do encontro, do aparecimento, do perecimento, das roucas vozes emudecidas que não estão naqueles livros que o protegem. Ou, como aquele outro grande jurista que brinca de teatro e ironiza o mundo sem se dar conta que teatro mesmo é o que ele representa, rindo, cuja graça não é comédia senão dos falsos risos falsos. Tautológico? Sim. Tautofônico, Tautometria, Tautócrono, de cuja suruba nasceu Vergonha – aquela menina bela e homossexual que precocemente tornou-se Pensamento. Ora, a capacidade do artista é a condição de fuga em direção à Metáfora – a maior paixão das não correspondidas Palavras, meninas rudes que teimam em crer que não são um eterno também. Assim como um relógio de costas a metáfora é a condição de possibilidade de contar outra história por trás do que se pinta, borda, esculpe, conta, encena... Nessa fenda o relógio está distorcido e, por mais impressionante, os sapatos se confundem com os pés como metáfora do homem que se confunde com o carro. Uma tela não é uma tela – não é senão uma história (à contrapelo), uma narração que pede, por vezes, o relógio de costas. Mas pede também, nas outras vezes, o relógio de cabeça-pra-baixo, porque o importante, na maioria das vezes, não é o relógio, mas aquilo que ele deixa escapar de sulco temporal. Como o inacessível por-do-sol.
Bueno, já entendeste, não é?! Claro, não posso negar, isso era realmente para ser um quadro – se eu soubesse pintar.

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sexta-feira, 21 de novembro de 2008

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Esclarecimentos...

"Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, Essa coisa é o que somos".
(José Saramago)
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Como se a questão fosse perceber que se percebe e não o que fazer com o que/quando se percebe...
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segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Sobre Peso, Palavras, Encontros e Desencontros...

Mundo Interior

Quando Dor entrou em cena Patologia e Referência falavam justamente dela. Não mudaram de assunto. Nada disso seria necessário. Ao contrário, compartilharam com ela a lembrança de quando ainda era apenas Anestesia. Fique claro que em nenhum momento a conversa ganhou tons ofensivos. As três, filhas do mesmo pai, dialogavam de modo muito amigável e com absoluta tranqüilidade. De qualquer modo, parecia claro àqueles que eventualmente poderiam estar assistindo a conversa que a situação não poderia ficar assim. Foi o que aconteceu: irromperam recordações do passado; nada muito distante, mas que teve a força de fazer com que entrassem numa profunda melancolia conjunta. Já devia ter passado das sete horas da noite e como ainda estavam no inverno a Lua já brilhava sobre as suas cabeças. “Muito agradável,” pensou Referência, “se eu ainda fosse conhecida como Brincadeira;” mas não. Era justamente isso que a atormentava: já não era mais aquela menina doce e simpática que poderia serenamente amar estrelas e arco-íris. Agora, assim como a própria Lua, ela estava num lugar cheio de iluminação e sofria em pensar que não tinha mais luz própria, enquanto – de maneira inexplicável para ela – seus familiares e amigos ainda insistiam em atribuir-lhe o título astral de satélite belo e natural, a cuja força a própria Terra se curvava. Para ela, porém, isso era inacreditável. Irritava-a, inclusive. Sentia-se, então, paradoxalmente lunática. Ao ouvir os mudos pensamentos da irmã, Patologia debulhou-se em lágrimas. Por que, afinal de contas, já não era mais aquela guria alegre e atenta como antes? Não compreendia a razão da sua metamorfose. Para piorar sua situação, ninguém conseguia explicar onde haviam se escondido suas bolinhas preferidas e de cores tão vivas: uma era azul e laranja, a outra verde e rosa. Como se ainda pudesse ficar mais dolorido, nem as suas próprias irmãs queriam ajudá-la a procurar. Cogitou que elas poderiam ter realmente fugido – mas não sabia se deveria acreditar nas suas próprias construções; poderiam elas – as bolinhas – ter confiado que Patologia era realmente uma moça violenta? Isso se deve, certamente, aos óculos, pensou: identificou, como lhe era particular depois que deixou de ser reconhecida pelo nome Sanidade, feiúra, doença e maldade. Só assim conseguia explicar a fuga. Triste e tensa, Dor não conseguia suportar a crise da irmã, mas também não poderia ajudá-la. Era possível observar, apenas para quem atentasse bem à cena, que sobre o balanço do jardim havia um relógio – só depois apanhado pela dona, a menina Dor – que marcava horas dissonantes, de alguma forma já amargurada e acostumada. De modo muito estranho ela sorriu. As irmãs, inseguras, entendiam. Uma voz rouca, então, soou para o espanto das garotas. Reconhecendo a rouquidão e aliviadas pela proximidade do final, ainda tiveram que escutar o que Dia falava – daquela maneira euripidiana com que estavam acostumadas: “é demasiado dolorido e pesado perceber minha razão onipotente, minha vontade dominadora e moralista, cuja auto-referência violenta a si mesma diante da sua própria percepção”.
Ora, já era a última, senão penúltima cena. Caricatura havia se atrasado muito para o teatro – fato que o enraivecia e o angustiava. Teve tempo ainda de descobrir que tudo se passava no sonho do único personagem “verídico”: Frankenstein. E por mais que não tenha conseguido entender a peça, pensou que comprando o programa, à venda na bilheteria do Teatro, poderia suprir esta falta. Estava equivocado, mais uma vez.
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sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Apesar do Vazio... "Aos Meus Heróis", Julinho Marassi e Gutemberg

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Ao meu sentir, como não poderia deixar de ser, é uma música que fala menos de política e mais de legados - por mais que seja inevitável o pensamento político em relação à ela. Uma música que sensibiliza mais pelo saudosismo do que pela violência - por mais que também fale de violência. Uma música que é quase uma entrega, nas mãos dos novos músicos, no colo dos novos tipos de música, da responsabilidade de se fazer música. Uma música que é um olhar particular sobre o que ainda resta de música brasileira e sobre as possibilidades não-preconceituosas de músicas outras - por mais que não se furte à responsabilidade de apontar o próprio gosto musical dos compositores. Não sinto senão como uma música de responsabilidade, de entrega, de sentimentos advindos da pele, do olhar, do sorriso; cada ouvinte sentindo, olhando e tateando da sua maneira.

[Escrito após o diálogo com Marcelo Mayora]

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quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Esgotamentos... ou: e, e, e...

Há dias, realmente, que as portas parecem menores do que quem as enxerga. Talvez porque as vezes a realidade excede e transborda a capacidade que, eventualmente, a mente tem em comandá-la. Por isso mesmo outras vezes as portas são maiores do que o visível aparentemente. Ora, em relação à isso edificam-se teorias, construções sociais mirbolantes, análises (sempre) universalizáveis. Contemporaneamente, coexistem raves e festas de debutantes, jogos de futebol e massacres em trensurbes - isso significa algo! Significa sempre - e muitos pensadores creem que isso é a própria beleza desse momento histórico jamais percebido na humanidade. Maravilhosa possibilidade de poder conviver com a diversidade, com a diferença, com gritos, vaias e aplausos... tudo junto, claro (ou seria esclarecido?!). É exatamente sobre isso que eu tenho conversado ultimamente com meus amigos Mayora (http://tunelnofimdaluz.blogspot.com/) e Zé (http://sopademoscas.blogspot.com/). Opiniões, sempre. Beleza.
A visibilidade de uns serve à invisibilidade de outros, afirmou em "Cabeça de Porco" L. E. Soares. Boa idéia pra desenvolver paralelamente que a visibilidade de algo serve à invisibilidade de muitos outros algos. Invisibilidade sempre eventual, parcial e precariamente visível para enxergar o que de alguma maneira já está inscrito no olhar mesmo daquele que pode se sentir ora maior, ora menor que a porta. Ora, das boas leituras que compartilho, escutando e lendo o que sinceros e otimistas pensadores da cultura têm a dizer, percebo que há um festejo - apenas agora entendido - em relação ao que lhes é percebido aos sentidos (incusive o sexto, o sétimo e os subseqüentes). Pessoas brincando de madrugada, pulando em cavernas, estudando às escondidas e etc, são sempre - porque sempre podem ser - festejos. É claro que a palavra não é à toa e que eu não poderia me furtar à correspondência legítima: Festejo da Totalidade (R. Timm). Parece, então, que o resto, a herança, as migalhas da catásrofe, são comemoradadas como sendo a vitória mesma do tribalismo, do multiculturalismo, da falsa alteridade, ao invés de ser lido como o mesmo da vitória ou a vitória do mesmo, do esclarecido, do logos, da violência, do individualismo proto-diversificado - filho do que a indústria cultural representa - em cuja lógica também é necessário universalizar, virtualilzar, aparencializar.
Perece, então, que a crença de estar em muitos lugares, de participar de muitos grupos/tribos/famílias, de "aceitar" a diversidade, representa a própria falácia do que é afirmado/inflingido/imposto ao que importa, de maneira que a alucinação impede de perceber que há mais do que ar no vazio, há o próprio pensamento de quem pensa o vazio, no mínimo - e isso indica que não é possível viver e aceitar o vazio como se vazio fosse, apenas: simulacro de alteridade. Não há como eximir-se da responsabilidade quanto ao vazio ao mesmo tempo que criamos/contemplamos/significamos esse vazio. Vazio cheio de algo: algo que somos, isto é, violência!
Bueno, esfacelados diante das violências e dos recalques não creio que haja sentido real argumentar que, pelo fato de sermos violentos queremos/desejamos cada vez mais a diversidade, cada vez mais a companhia de outros, de momentos outros... Expiação?? Culpa?? Mas a promessa da contra-Promessa não era justamente livrar-nos da culpa? Ora, é sobre ela que Nietzsche funda sua crítica à moral - Schuld, é o termo alemão. É o que marca a filiação. Não há como escapar: movimento de totalização! Parece-me falacioso, alucinatório, e violento como qualquer máscara de redução de danos tende a ser.
Quero apenas dizer que somos ainda o final de uma Era das Catástrofes (Hobsbawm) e não o início de uma outra. Somos a ressaca da totalildade e não penso em outra palavra a não ser Esgotamento...
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quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Beleza, Sutileza e Delicadeza Femininas, por Musil

Moças e Heróis

"Como são belas todas vocês, jovens aldeãs, com suas pernas de camponesas e seus olhos serenos que não denunciam se algo os surpreende ou não! Levam pela coleira o cão do patrão, do mesmo modo como levam a vaca por uma corda. Será que pensam nos sinos que tocam neste instante na aldeia ou no cinema prestes a começar? Seguramente pressentem de maneira misteriosa que vivem mais homens entre duas esquinas da cidade que em todo o campo, e a todo momento passam por essa masculinidade, ainda que não faça parte de vocês, como quem passa por um milharal que roça as pedras. Mas será que pensam, enquanto seus olhos finem nada saber, que é um homem quem conduzem pela coleira? Ou não percebem, de modo algum, que Lux é um homem, que Wolf e Armi são homens? A cada árvore ou a cada poste de luz, milhares de flechas transpassam seus corações. Homens de sua estirpe deixaram para trás, como sinal, o penetrante odor de amoníaco, como se tivessem cravado a espada numa árvore; batalhas e irmandades, heroísmo e propensão, todo o mundo heróico masculino abre-se diante de seu perscrutável poder de imaginação! Com que gestos francos levantam a perna numa saudação belicosa ou que ímpeto heróico o do braço que brinda com o copo de cerveja numa reunião de estudantes! Com que seriedade executam seus serviços, seja uma libação ou um ritual de sacrifício! E vocês, moças? Vocês incompreensívelmente os arrastam. Puxam-lhes pela coleira; não lhes concedem tempo, não voltam o olhar para eles; não lhes têm qualquer consideração. É um espetáculo pela qual merecem ser apedrejadas. Irmãos! Lux ou Wolf saltam sobre três pernas atrás dessas moças; orgulhosos demais, feridos demais em seu orgulho estoniano para uivar por socorro; incapazes de qualquer protesto, exceto o de, num desesperado adeus, não deixarem obstinada e renitentemente ruir a quarta perna, enquanto a coleira continua rasgando-os. Quantas doenças caninas internas podem nascer de momentos como esses, quantos complexos desesperados e neurastênicos estão encerrados neles! E, o principal: estariam elas acaso sentindo o olhar triste e cordial que ele lhes lança quando passam por uma cena semelhante? Ele, a seu modo, é verdade, ama a alma dessas incompreensíveis moças. Não são impiedosas; seus corações seriam capazes de comover-se se soubessem o que se passa à sua frente. Mas o ignoram, de verdade. E o que as torna assim tão fascinantes não seria exatamente essa indolência cordial, uma vez que não sabem absolutamente nada de nós? Assim fala o cão. Elas jamais compreenderão nosso mundo!"
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Robert Musil
in "O Melro e outros escritos de obra póstuma publicada em vida". Trad. Nicolino Neto, SP: Nova Alexandria, 1996.
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terça-feira, 11 de novembro de 2008

domingo, 9 de novembro de 2008

Encontro com a Sensibilidade e o Sorriso das Flores, ou: sensível felicidade da flor...

"Caro Doutor, eu me coloco em suas mãos", era o que pensava Entretanto. O Sol havia os encontrado. Não poderiam saber se estava realmente quente ou se o calor dos seus corpos é que afrontavam alquimicamente aquele outro real - que era a temperatura do dia. De qualquer maneira o ar condicionado estava ligado. Tal como uma flor que encontra seu admirado e lhe permite adimirá-la, seus olhos combinavam ardentemente com sua pele - era o que, extasiado, pensava Entretanto ao contemplar sua amada. O olhar de Felicidade conseguia resplander o enorme brilho da alegria de ambos, num arrebatador momento de singela completude. Até então não haviam tido a oportunidade de, por mais que quisessem, acreditar que era possível falar sem palavras. Pelo menos até o momento em que isso realmente aconteceu. Não tem como explicar - e isso não é retórica(!). Não tem mesmo como explicar; se naquele momento já não haviam palavras, como inxertá-las agora sem ferir absolutamente a magia(?!). Entre flores, peles e sensibilidades a conversa continuava até que, num átimo, Felicidade colocou os óculos escuros. Exposto diante do seu reflexo nas lentes pretas combinadas com astes prateadas, Entretanto estava defronte consigo e suas fraquezas. Inseguranças, defesas, mecanismos tomaram conta do silêncio que irrompeu diferente daquele outro silêncio confidente. Mil elucubrações, mil vestes, mil pensamentos, enfim, mil tonalidades de cinza entravam em cena para confrontarem-se com a bela blusa lilás que Felicidade usava. Para ela, talvez, o momento era ainda colorido. Talvez, sempre - e era nisso que ele pensava, era isso também que doía, ao continuar justificando, numa força incontrolável, a sua fraqueza: talvez o sempre seja mesmo um sempre talvez - e se isso não é angústia é, pelo menos, sua irmã, ou filha, ou mãe. Ora, Entretanto já não conseguia, ou não podia ou, ainda, não queria enxergar mais a felicidade da Felicidade, por mais que fosse só o que ela pretendia passar-lhe naquele instante. Violento, ele queria mais. Queria palavras. Sabia-se violento. Queria som, pois já não lhe bastava o que via e o que poderia estar vendo de invisível ou não estar vendo de visível. Queria ferir o momento delicado. Procurava segurança - a segurança chã, acre, burra, caolha, dos lógicos que tanto sofrem daquilo que Entretanto tanto se envaidece: a sensibilidade. Pensou em Carlos Drummond de Andrade - "em verdade temos medo...". Era como se não se permitisse degustar o que teria tantas e plenas condições de degustação: o momento mesmo em que desejava Felicidade e que sabia que ela chegava sorridente apenas para lhe piscar os belos olhos com um lindo sorriso. Impaciente, como odiava ser, Entretanto pediu que Felicidade tirasse os óculos, pois queria que ela atentasse ao que ele tinha para falar. Felicidade, aparentemente tranqüila e bela como aquele dia de Sol, respondeu acariciando-lhe as mãos, como que percebendo o frenesi alucinatório que irrompera há instantes seu amado: "eu não preciso tirar meus óculos pra te escutar". Claro, ou lilás, no mínimo simples: ela poderia muito bem escutar sem ver, ver sem escutar, ou, o que é mais sorridente, poderia até, escutar sem ouvir, enxergar sem ver - afinal de contas, tocava em suas mãos. Certo que ela não usou exatamente essas palavras; afinal, como ele poderia lembrar-se exatamente de algo diante daquele rubor (?!); de qualquer modo, foi nessa sintonia que ele compreendeu o que compreendeu, e sobre a qual reconstruiu sua realidade; sua, nem sempre saudável, alucinação.
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sábado, 8 de novembro de 2008

"Explosão da Cor", ou: explosão, entre Sol, vida e cores...

Van Gogh. "Vaso com doze Girassóis",
ou, apenas, Girassóis
(Agosto de 1888)
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quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Sutil Violência Contemporânea, ou: sobre a alergia e a alegria dos carrascos...

Talvez tenha existido tempo em que o contato com as flores significava mais do que o contato com um objeto. Talvez tenham havido sensibilidades que reconheciam e diferenciavam os cheiros das flores. Talvez, ainda, houve tempo em que as delicadezas das flores significavam, cada uma, olhares diferentes ao admirador; inclusive e, talvez, por mais estranho, ao comprador. Apesar, porém, dos redemoinhos ainda há tempo para as flores - expostas fragilmente diante dos vendavais e das brutalidades dos pseudo-admiradores contemporâneos.
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ACP
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segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Ebulição do Mundo Interior...

"Há um abismo defronte às palavras. Elas riem, pois, ao contrário do que parece, não temem cair. Invertendo a lei da gravidade elas são impulsionadas desse vazio cheio de algo, mascarando imediatamente outro algo. Outros algos. Do escondeirijo para o escondido perceptível, perecível, perspectivo: o silêncio não é surdo, nem mudo."
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ACP
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