Há dias, realmente, que as portas parecem menores do que quem as enxerga. Talvez porque as vezes a realidade excede e transborda a capacidade que, eventual
mente, a
mente tem em comandá-la. Por isso mesmo outras vezes as portas são maiores do que o visível aparentemente. Ora, em relação à isso edificam-se teorias, construções sociais mirbolantes, análises (sempre) universalizáveis. Contemporaneamente, coexistem raves e festas de debutantes, jogos de futebol e massacres em trensurbes - isso significa algo! Significa sempre - e muitos pensadores creem que isso é a própria
beleza desse momento histórico jamais percebido na humanidade. Maravilhosa possibilidade de poder conviver com a diversidade, com a diferença, com gritos, vaias e aplausos...
tudo junto,
claro (ou seria esclarecido?!). É exatamente sobre isso que eu tenho conversado ultimamente com meus amigos Mayora (
http://tunelnofimdaluz.blogspot.com/) e Zé (
http://sopademoscas.blogspot.com/). Opiniões, sempre. Beleza.
A visibilidade de uns serve à invisibilidade de outros, afirmou em "Cabeça de Porco" L. E. Soares. Boa idéia pra desenvolver paralelamente que a visibilidade de algo serve à invisibilidade de muitos outros algos. Invisibilidade sempre eventual, parcial e precariamente visível para enxergar o que de alguma maneira já está inscrito no olhar mesmo daquele que pode se sentir ora maior, ora menor que a porta. Ora, das boas leituras que compartilho, escutando e lendo o que sinceros e otimistas pensadores da cultura têm a dizer, percebo que há um festejo - apenas agora entendido - em relação ao que lhes é percebido aos sentidos (incusive o sexto, o sétimo e os subseqüentes). Pessoas brincando de madrugada, pulando em cavernas, estudando às escondidas e etc, são sempre - porque sempre podem ser - festejos. É claro que a palavra não é à toa e que eu não poderia me furtar à correspondência legítima: Festejo da Totalidade (R. Timm). Parece, então, que o resto, a herança, as migalhas da catásrofe, são comemoradadas como sendo a vitória mesma do tribalismo, do multiculturalismo, da falsa alteridade, ao invés de ser lido como o mesmo da vitória ou a vitória do mesmo, do esclarecido, do logos, da violência, do individualismo proto-diversificado - filho do que a indústria cultural representa - em cuja lógica também é necessário universalizar, virtualilzar, aparencializar.
Perece, então, que a crença de estar em muitos lugares, de participar de muitos grupos/tribos/famílias, de "aceitar" a diversidade, representa a própria falácia do que é afirmado/inflingido/imposto ao que importa, de maneira que a alucinação impede de perceber que há mais do que ar no vazio, há o próprio pensamento de quem pensa o vazio, no mínimo - e isso indica que não é possível viver e aceitar o vazio como se vazio fosse, apenas: simulacro de alteridade. Não há como eximir-se da responsabilidade quanto ao vazio ao mesmo tempo que criamos/contemplamos/significamos esse vazio. Vazio cheio de algo: algo que somos, isto é, violência!
Bueno, esfacelados diante das violências e dos recalques não creio que haja sentido real argumentar que, pelo fato de sermos violentos queremos/desejamos cada vez mais a diversidade, cada vez mais a companhia de outros, de momentos outros... Expiação?? Culpa?? Mas a promessa da contra-Promessa não era justamente livrar-nos da culpa? Ora, é sobre ela que Nietzsche funda sua crítica à moral - Schuld, é o termo alemão. É o que marca a filiação. Não há como escapar: movimento de totalização! Parece-me falacioso, alucinatório, e violento como qualquer máscara de redução de danos tende a ser.
Quero apenas dizer que somos ainda o final de uma Era das Catástrofes (Hobsbawm) e não o início de uma outra. Somos a ressaca da totalildade e não penso em outra palavra a não ser Esgotamento...
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