terça-feira, 30 de junho de 2009

Mas não é contraditório pincelar Dali com Tchaikovsky? No mínimo, é patético.

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domingo, 28 de junho de 2009

Sal Encontrado pela Cassini Sugere um Oceano Dentro de Lua em Saturno

24 JUN 2009 - Pasadena, Califórnia - Pela primeira vez, cientistas trabalhando na missão Cassini da NASA detectaram sais de sódio em grãos de gelo no anel mais externo de Saturno. A detecção de gelo salgado indica que a lua de Saturno Enceladus, que é a principal abastecedora do anel com material dos jatos de descarga, poderia abrigar um reservatório de água líquida - talvez um oceano - sob a sua superfície.
A Cassini descobriu em 2005 os jatos de gelo de água de Encelado. Estes jatos expelem minúsculos grãos de gelo e vapor, alguns dos quais escapam à gravidade da lua e formam o anel mais externo de Saturno. O analisador de poeira cósmica da Cassini examinou a composição desses grãos e encontrou sal dentro deles.

"Nós acreditamos que os minerais salgados das profundezas de Enceladus são retirados de de rochas no fundo de uma camada líquida", disse Frank Postberg, cientista da Cassini para o analisador de poeira cósmica, no Instituto Max Planck de Física Nuclear, em Heidelberg, Alemanha. Postberg é o autor principal de um estudo que aparece na Edição de 25 de junho da revista Nature.

Os cientistas da equipe do detector poeira cósmica da Cassini concluíram que a água líquida deve estar presente, pois é a única forma de dissolver quantidades significativas de minerais que levariam aos níveis de sal detectados. O processo de sublimação, o mecanismo pelo qual o vapor é liberado diretamente de gelo sólido na crosta, não conta para a presença de sal.

"As fontes potenciais de jatos em Enceladus são uma área ativa de investigação para provar a existência de um possível oceano de água salgada", disse Linda Spilker, cientista adjunta do projeto Cassini no Jet Propulsion Laboratory da NASA em Pasadena, Califórnia. "Nossas próximas oportunidades para a coleta de dados sobre Enceladus virão durante dois sobrevôos em novembro."

A formação dos grãos do anel mais externo, determinada quando milhares de impactos de partículas em alta velocidade foram registrados pela Cassini, fornece informação indireta sobre a composição do material do jato e do que há dentro de Enceladus. As partículas do anel mais exterior são quase puramente gelo de água, porém quase toda vez que o analisador de poeira tem verificado a composição, ele tem encontrado pelo menos algum sódio dentro das partículas.

"Nossas medições sugerem que além de sal, os grãos também contêm carbonatos. Ambos os componentes estão em concentrações que correspondem à composição prevista para um oceano em Enceladus," disse Postberg. "Os carbonatos também fornecem um pH ligeiramente alcalino. Se a fonte líquida é um oceano, ela poderia proporcionar um ambiente adequado em Enceladus para a formação dos precursores da vida quando associadas ao calor medido perto do pólo sul da lua e os compostos orgânicos encontrados dentro dos jatos."

No entanto, em outro estudo publicado na revista Nature, os pesquisadores fazendo observações terrestres não vêem sódio, um componente importante do sal. Essa equipe observa que a quantidade de sódio sendo expelido de Enceladus é realmente inferior àquela observada em torno de muitos outros corpos planetários. Estes cientistas estavam procurando pelo sódio nos jatos de vapor e não poderia vê-los nos grãos de gelo expelidos. Eles argumentam que se o jato de vapor vem de um oceano de água, a evaporação deve acontecer lentamente nas profundezas do subsolo, em vez de uma violenta erupção de um gêiser no espaço.

"Encontrar sal no jato dá indícios de água líquida abaixo da superfície", disse Sascha Kempf, também uma cientista da Cassini para o analisador de poeira cósmica do Instituto Max Planck de Física Nuclear. "A falta de detecção de vapor de sódio no jato dá dicas sobre como deve ser o reservatório de água."

Determinar a natureza e a origem do material do jato é uma prioridade para a Cassini durante o sua missão estendida, chamada de Missão Cassini Equinócio.

"A imagem original dos jatos como violentas erupções similares àquelas dos gêiseres de Yellowstone está mudando", disse Postberg. "Eles parecem estar mais estáveis como jatos de vapor e gelo alimentados por um grande reservatório de água. Contudo, não podemos decidir ainda se a água está atualmente "aprisionada" dentro de enormes bolsões na espessa crosta de gelo de Enceladus ou ainda ligada a um grande oceano em contato com o núcleo rochoso."

Texto traduzido por Luis Gabriel.

sábado, 20 de junho de 2009

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Jurista, o humanitário
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Queres ouvir, leitor, a descrição de uma percepção real de um objeto que não existe e que pode fazer-se vitoriosa? O significado da democracia que começou a ser pensado no renascimento e no humanismo europeus do século XVI tinha uma forte inspiração ateniense. Isso quer dizer que o pensamento do século XVI pensou a si mesmo refletido no que acreditava ser as águas límpidas da antiguidade. Eis a herança, my lord Lear. Mas, pasme! leitor, essas águas eram turvas, ensanguentadas - e antes de exibir felicidade sugaram a vida, no autovenerado afogamento de Narciso.
Ora, essa racionalidade entronada por ter logrado a democracia em termos de pensamento é apenas a exposição falaciosa de si mesma. Acreditou, argumentou, teorizou, alucinou. Cogitou edificar o monumento democrático em nome de si mesma e em nome dos gregos quando, na verdade, dava sonoridade aos seus instintos mais bárbaros, por asism dizer. Desde quando, amigo, existiu democracia na Grécia?
Mas, claro, se por uma máquina do tempo a antiguidade grega vivesse hoje - o democrático e cada vez mais democrático século XXI - certamente seria democrática, não?!
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sexta-feira, 12 de junho de 2009

A profissão de fé na verdade é o medo do assalto que a verdade oferece ao irromper nas fendas, nas ranhuras, dessa fé. Assim, aqueles que mais furiosamente prefessam a verdade não podem esquivar-se àquilo que juram inofensivo: o temor de serem solapados pela verdade recalcada ante às suas profissões de fé. Eis, então, ironicamente, um dos enigmas da fé.
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terça-feira, 9 de junho de 2009

O tríptico (três painéis) de Hieronymus Bosch, O Jardim das Delícias Terrenas, descreve a história do Mundo a partir da criação, apresentando o paraíso terrestre e o Inferno nas asas laterais. Ao centro aparece, curiosamente, um Bosch que celebra os prazeres da carne, com participantes desinibidos, sem sentimento de culpa. A obra expõe ainda símbolos e atividades sexuais com vividez. Especula-se sobre seus financiadores, que poderiam ser adeptos do amor livre, já que parece improvável que alguma igreja tradicional a tenha encomendado.
Ligada à "
utopia" por um lado, mas representando o lugar da vida humana por outro, Bosch revela uma actualidade do seu tempo, dado que essa vida está entre o paraíso e o inferno como se conta no Génesis. O tríptico, quando fechado, tem uma citação transcrita desse livro "Ele mesmo ordenou e tudo foi criado". Entre o bem e o mal está o pecado, preposição cristã. No jardim, painel central, representações da luxúria, mensagem de fragilidade nas envolvências do vidro e das flores, reflectem um carácter efémero da vida, passagem etérea do gozo, do prazer.
Enquanto "utopia", porque transcreve de modo imaginário na imagem um "real", que mais se aproxima do surreal, e representa, mesmo que toda a sociedade e a cultura Ocidental esteja marcada por essa estrutura, uma história “utópica” do seu tempo. Entre um “bem” e um “mal” está a vida e o pecado, de certo foi aplicado, mas no início seria apenas uma projecção.

terça-feira, 2 de junho de 2009

As sombras da razão

Uma sombra até pode esconder um vazio. Mesmo quando o vazio está cheio de algo. Mas para ser sombra ela precisa de luz, de Sol ou coisa parecida. Bom, o Sol é a mais utilizada metáfora para falar de racionalização, iluminismo, etc. Para dizer o mínimo, isso é bizarro. Ou não perece terrível dizer "tão claro como a luz do Sol do meio dia"? - Sim, podes rir... - Essa instrumentalização do que deveria ser por excelência inistrumentalizavel é, para dizer o máximo, burra. Aliás, coitados dos burros - os animais não-humanos. Nas intermitências do Sol Francisco de Goya fez irromper as sombras, atacou os lógicos santos do ofício e do estado - esses burros, para dizer o mínimo. Talvez vermes seja o adjetivo máximo nesse caso, mas ainda temo por estes. Apreender o Sol para que a apreensão se torne causa e efeito do apreendedor é movimento propriamente iluminado - é um delírio, para dizer o mínimo. Substituindo apreendedor por "empreendedor" não causaria ainda mais dano às sombras, nem ao Sol. Incrivelmente, porém, a violência desse empreendimento, para dizer, talvez, o máximo, ainda pode ser apresentada em cenas ensolaradas e cruas, sombrias e estupradas, cinzas e reais. Foi assim que vi quatro bons filmes nesse final de semana chuvoso e frio - tal como a razão, para dizer o mínimo.
Histórias Proibidas (Todd Solondz), Felicidade (Todd Solondz), Foi Apenas um Sonho (Sam Mendes) e Sombras de Goya (Milos Forman) são sombras ao sol delirante da razão, que mostram todos os algos que insistem em não se deixar sombrear por esse filete de pensamento que é a racionalização.