terça-feira, 2 de junho de 2009

As sombras da razão

Uma sombra até pode esconder um vazio. Mesmo quando o vazio está cheio de algo. Mas para ser sombra ela precisa de luz, de Sol ou coisa parecida. Bom, o Sol é a mais utilizada metáfora para falar de racionalização, iluminismo, etc. Para dizer o mínimo, isso é bizarro. Ou não perece terrível dizer "tão claro como a luz do Sol do meio dia"? - Sim, podes rir... - Essa instrumentalização do que deveria ser por excelência inistrumentalizavel é, para dizer o máximo, burra. Aliás, coitados dos burros - os animais não-humanos. Nas intermitências do Sol Francisco de Goya fez irromper as sombras, atacou os lógicos santos do ofício e do estado - esses burros, para dizer o mínimo. Talvez vermes seja o adjetivo máximo nesse caso, mas ainda temo por estes. Apreender o Sol para que a apreensão se torne causa e efeito do apreendedor é movimento propriamente iluminado - é um delírio, para dizer o mínimo. Substituindo apreendedor por "empreendedor" não causaria ainda mais dano às sombras, nem ao Sol. Incrivelmente, porém, a violência desse empreendimento, para dizer, talvez, o máximo, ainda pode ser apresentada em cenas ensolaradas e cruas, sombrias e estupradas, cinzas e reais. Foi assim que vi quatro bons filmes nesse final de semana chuvoso e frio - tal como a razão, para dizer o mínimo.
Histórias Proibidas (Todd Solondz), Felicidade (Todd Solondz), Foi Apenas um Sonho (Sam Mendes) e Sombras de Goya (Milos Forman) são sombras ao sol delirante da razão, que mostram todos os algos que insistem em não se deixar sombrear por esse filete de pensamento que é a racionalização.

5 comentários:

  1. Caralho só filmaço: o que explica o Tom do post. E Jobim também.

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  2. Violencia ao empreendimento do delírio; ou a luz do iluminado?

    ABS

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  3. Gostei BASTANTE do "Sombras de Goya", a despeito de 100% das opinioes que escutei tentarem me convencer da suposta ruindade da pelicula.

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  4. só vi o Felicidade: filme tenso, interessantew.

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