"O Romantismo, como expressão dos medos, e ainda do sombrio e enigmático inconsciente do homem, vislumbrado nas chamadas “pinturas negras” de Goya, constituem o testemunho do profundo ceticismo com que o artista via as promessas de salvação exaradas pela Igreja, e as esperanças de melhores condições de vida lançadas pelo Iluminismo. Talvez não só ceticismo, mas igualmente desespero. O monstro humanóide da obra “Saturno”, que devora freneticamente um cadáver, exprime a sensação de horror e de desamparo pelas promessas descumpridas, e o abandono do homem à própria sorte, inclusive à possibilidade de ser destruído por seu semelhante. Assim, Francisco de Goya pintou não somente o que via ao seu redor, as intimidades do mundo e o que considerava equívoco, mas também, e poder-se-ia dizer principalmente, o que descobria dentro de si."
- Kunze, Alexandra Biezus. Imagens da desagregação e da violência : insurreições contra a totalidade racionalista. Porto Alegre, 2006. Dissertação (Mestrado) – Mestrado em Ciências Criminais. Fac. de Direito, PUCRS, 2006.




