quinta-feira, 31 de julho de 2008

Vazio Cheio de Algo: ou, crítica à racionalização alucinatória...

"O Romantismo, como expressão dos medos, e ainda do sombrio e enigmático inconsciente do homem, vislumbrado nas chamadas “pinturas negras” de Goya, constituem o testemunho do profundo ceticismo com que o artista via as promessas de salvação exaradas pela Igreja, e as esperanças de melhores condições de vida lançadas pelo Iluminismo. Talvez não só ceticismo, mas igualmente desespero. O monstro humanóide da obra “Saturno”, que devora freneticamente um cadáver, exprime a sensação de horror e de desamparo pelas promessas descumpridas, e o abandono do homem à própria sorte, inclusive à possibilidade de ser destruído por seu semelhante. Assim, Francisco de Goya pintou não somente o que via ao seu redor, as intimidades do mundo e o que considerava equívoco, mas também, e poder-se-ia dizer principalmente, o que descobria dentro de si."
  • Kunze, Alexandra Biezus. Imagens da desagregação e da violência : insurreições contra a totalidade racionalista. Porto Alegre, 2006. Dissertação (Mestrado) – Mestrado em Ciências Criminais. Fac. de Direito, PUCRS, 2006.

4 comentários:

  1. Posso dizer tranquilamente que AINDA nao me recuperei bem da exposicao de gravuras de Goya no MARGS, ano passado.

    Muito, muito fortes. Os desenhos dizem MUITO, por si.

    O terror de algumas expressoes na tela estava absurdamente bem representado. Tinha umas que davam medo ("O bobalhao", por exemplo)

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  2. "Filhinho-da-mamãe".

    Essa tb me causou mal-estar.

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  3. Só um detalhe: por que Saturno devora?

    Se pensarmos bem, vamos ver que a resposta é relativamente simples.

    É o tempo que nos corrói.

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  4. De uma forma ou de outra, aponta para uma fatalidade que, até então, parece-me que não estava bem clara: "não há salvação neste mundo", como diria Morin.
    Nem o tempo, nem o humano, nem a ciência, nem as promessas religiosas, e muito menos as científicas: é o ser humano abandonado à sua própria sorte, e salve-se quem puder.
    Será mesmo que já saímos (se é que uma vez entramos) da barbárie?

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