"O Romantismo, como expressão dos medos, e ainda do sombrio e enigmático inconsciente do homem, vislumbrado nas chamadas “pinturas negras” de Goya, constituem o testemunho do profundo ceticismo com que o artista via as promessas de salvação exaradas pela Igreja, e as esperanças de melhores condições de vida lançadas pelo Iluminismo. Talvez não só ceticismo, mas igualmente desespero. O monstro humanóide da obra “Saturno”, que devora freneticamente um cadáver, exprime a sensação de horror e de desamparo pelas promessas descumpridas, e o abandono do homem à própria sorte, inclusive à possibilidade de ser destruído por seu semelhante. Assim, Francisco de Goya pintou não somente o que via ao seu redor, as intimidades do mundo e o que considerava equívoco, mas também, e poder-se-ia dizer principalmente, o que descobria dentro de si."
- Kunze, Alexandra Biezus. Imagens da desagregação e da violência : insurreições contra a totalidade racionalista. Porto Alegre, 2006. Dissertação (Mestrado) – Mestrado em Ciências Criminais. Fac. de Direito, PUCRS, 2006.

Posso dizer tranquilamente que AINDA nao me recuperei bem da exposicao de gravuras de Goya no MARGS, ano passado.
ResponderExcluirMuito, muito fortes. Os desenhos dizem MUITO, por si.
O terror de algumas expressoes na tela estava absurdamente bem representado. Tinha umas que davam medo ("O bobalhao", por exemplo)
"Filhinho-da-mamãe".
ResponderExcluirEssa tb me causou mal-estar.
Só um detalhe: por que Saturno devora?
ResponderExcluirSe pensarmos bem, vamos ver que a resposta é relativamente simples.
É o tempo que nos corrói.
De uma forma ou de outra, aponta para uma fatalidade que, até então, parece-me que não estava bem clara: "não há salvação neste mundo", como diria Morin.
ResponderExcluirNem o tempo, nem o humano, nem a ciência, nem as promessas religiosas, e muito menos as científicas: é o ser humano abandonado à sua própria sorte, e salve-se quem puder.
Será mesmo que já saímos (se é que uma vez entramos) da barbárie?