Para Ricardo Timm de Souza
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O relógio estava de costas. Mas isso não indicava, por incrível que pareça, que o tempo estava paralisado. Há sempre uma distância entre o por-do-sol e o pôr-do-Sol. Intocável distância sensível: barreira intransponível para sermos o Sol mesmo. Como aquele mestre palestrante que enche sua mesa ou seu púlpito de livros para proteger-se, blindar-se, à melancolia do encontro, do aparecimento, do perecimento, das roucas vozes emudecidas que não estão naqueles livros que o protegem. Ou, como aquele outro grande jurista que brinca de teatro e ironiza o mundo sem se dar conta que teatro mesmo é o que ele representa, rindo, cuja graça não é comédia senão dos falsos risos falsos. Tautológico? Sim. Tautofônico, Tautometria, Tautócrono, de cuja suruba nasceu Vergonha – aquela menina bela e homossexual que precocemente tornou-se Pensamento. Ora, a capacidade do artista é a condição de fuga em direção à Metáfora – a maior paixão das não correspondidas Palavras, meninas rudes que teimam em crer que não são um eterno também. Assim como um relógio de costas a metáfora é a condição de possibilidade de contar outra história por trás do que se pinta, borda, esculpe, conta, encena... Nessa fenda o relógio está distorcido e, por mais impressionante, os sapatos se confundem com os pés como metáfora do homem que se confunde com o carro. Uma tela não é uma tela – não é senão uma história (à contrapelo), uma narração que pede, por vezes, o relógio de costas. Mas pede também, nas outras vezes, o relógio de cabeça-pra-baixo, porque o importante, na maioria das vezes, não é o relógio, mas aquilo que ele deixa escapar de sulco temporal. Como o inacessível por-do-sol.
Bueno, já entendeste, não é?! Claro, não posso negar, isso era realmente para ser um quadro – se eu soubesse pintar.
Bueno, já entendeste, não é?! Claro, não posso negar, isso era realmente para ser um quadro – se eu soubesse pintar.
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Metáfora: Tropo que consiste na transferência de uma palavra para um âmbito semântico que não é o do objeto que ela designa, e que se fundamenta numa relação de semelhança subentendida entre o sentido próprio e o figurado; translação. De certa forma, a sanidade se situa entre o extremo de aprisionar obsessivamente a linguagem em um cerrado âmbito semâtico e o extremo de bagunçar os âmbitos semânticos a ponto de des-significar todas as palavra. O curioso é que os analíticos são consagrados por atingirem o primeiro dos extremos por sua con-sagrada sanidade, enquanto os artistas atingem o outro extremo e são con-sagrados in-sanos. É que, no caso, o âmbito semântico do relógio é tão mais con-sagrado (o que não é uma metáfora? A VERDADE?)quanto permanecer no âmbito semântico sacralizado ("18:00, horário de brasília"). O que está "ressentido" é que brasília é só uma metáfora, do analítico. Existiria melhor ansiolítico?
ResponderExcluirAcho que não deveriam ser degustações, pois estas se consomem e se perdem, se diluem e se misturam dentro da gente de maneira sutil e discreta.Acho que pertinente seriam se fossem pílulas. Para a cura. Deste mundo caótico. Destas pessoas insanas. Ou, destes simulacros de loucos que, em sendo mesmo mau caráter, escondem-se por trás de títulos.Pílulas para nos amenizar da dor destes mestres em seus "estradinhos", em frente ao quadro branco, que nos satirizam quando ousamos questionar a sandice em que eles vivem.Pílulas para nos entorpecer, para nos permitir aceitar com menos rebeldia o grande mestre que prega o dogma com a palavra nas mãos. Por favor, me dá as pílulas para eu dormir de olhos abertos e fingir que eu não os vejo loucos, não os ouço mentirosos e não os acredito cínicos. Para que eles [mesmo não me aceitando] não tentem me destruir...Para que eles não me dopem com as [suas] pílulas e me façam ser [não] pensante.... E que não me perdoem, pois eu não quero crer no que eles dizem....
ResponderExcluirSinta-se à vontade para ministrar as suas dosagens! À pedido... Bjks, querido!
Pode ser que haja um dia que todos estejam (estejamos) mas preocupados com o SULCO do que com acertar os ponteiros com Greenwich ou Brasilia. Bom seria (vai ser).
ResponderExcluirO problema esta no fato de que, embora nao unicos no mundo, os ponteiros seguem girando...RODANDO. E, voce, sabe: roda mundo, Roda-Gigante, roda moinho e a roda viva, SE BOBEAR, nos CARREGA para (tenho medo de pensar pra onde).
EXCELENTE texto!