"Os Personagens, tanto em músicas quanto em literaturas, são construídos com o fervor angustiante daquilo que precisa ser dito, mas que não pode sê-lo senão por metáforas. Por outro lado, os personagens não passam de tentativas, quase como os conceitos, mas ainda mais brilhantes, pois, menos arrogantes, sabem-se peneiras, cujos poros não engasgam em uma construção - deixada sempre para os olhos do leitor; ou, antes, não apenas para os olhos, mas, fundamentalmente, para todos os sentidos de quem se permite estar à flor da pele. Do lado oposto ao que denomino Personagens, encontram-se as Gravatas, que pretendendo apenas embelezar, no sentido literário mesmo, acabam por agrilhoar, no sentido médico-jurídico. Elas poderiam permitir, a princípio, abrir o horizonte de compreensão acerca daqueles que as usam, assim como, poderiam fundamentar a percepção daqueles que, usando-as ou não, observam as múltiplas cores, estilos e fusões que ali, no pescoço, podem e devem indicar algo. Mas é justamente aí que ganha, surpreendentemente, fôlego (já que se trata de nós de/na garganta) a questão, pois o Outro, os homens, os animais, as coisas, não chegam à pele humana primeiro por essa compreensão, mas, antes, é o encontro mesmo que exsurge, enquanto manifestação do que é irrepresentável, tal como o personagem, o cheiro, o som, o tato..."
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Essa era a alucinação que apontavam com toda razão ao acusado, pois, ao responder "por que matou(?)", o acusado usava, à Merseault, destas palavras. Juízes, promotores e advogados, todos cumpridores do seu dever salvacionista, engravatados, tinham nós na garganta. Era um caso de parricídio. Após o caso ter sido remetido para o devido Instituto Psiquiátrico, foi usado por alguns como exemplo em palestras, como prova de que, assim como a gravata, a sanidade está do lado das leis, da moral e dos costumes. Pouco tempo depois daquele (des)encontro judicial, o acusado-enfermo apareceu morto - havia se enforcado com uma gravata que roubara do pai e permanecia escondida até esse momento como prova inexistente da materialidade daquele delito.
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Me deu um nó na garganta! sorte que estou livre do uso obrigatório de gravatas.
ResponderExcluirParabéns!
Por outro lado, dar nó na gravata pode ser forma de impedir o nó - na garganta.
ResponderExcluirNós surpreendentemente "enosados", para que se desatem ou não.
ResponderExcluirNão vejo nenhuma diferença entre usar gravata e usar um moicano. O engravatado pode ser mais resistente que o punk, inclusive. O "não-usar-gravata" também é um estilo.
ResponderExcluirO nó na garganta estará sempre presente, com ou sem gravata.
"...Professor, mas ontem eu fui assistir um juri e os jurados estavam CONVERSANDO ENTRE SI no intervalo para comer e o ADVOGADO estava FALANDO com um outro deles enquanto fumava um cigarrinho e o promotor invocou no discurso um "reconhecimento de pessoas e coisas" feito na policia com 4 pessoas brancas e apenas o acusado de PRETO e o JUIZ nada falou - nem o advogado..."
ResponderExcluir"FILHA, seguinte: VIDA = uma coisa. Mundo teorico-dogmatico do direito= outra. Entendeu?"
"Entendi"
"Tu SEGUE achando agora que o Processo, o Direito material e tudo mais servem eficazmente para 'garantir-proteger-organizar' Segue pensando em lei e ordem e que o direito estabelece 'morais' e 'eticas' de cima pra baixo e que a gente tem mais que obedecer sem questionar'?"
"mmm...meio BRABO, ne, PROFE?"
"Pois sim. INTERVALO..."
Um dos "cafezinhos" mais LEVES do meu ano seguiu apos a cena.
Interessante... O Direito é essa névoa- como a Educação e Psicologia- onde a cognição e a pré-concepção tornam-se vida e morte...
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