sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

bla, bla, bla...

"Amigos, isso não é um conto, mas também é uma história real. Em tempos de banca, é um alívio pra mim contar mais uma vez essa história pra vocês... Em épocas também opacas eu fiz minha segunda apresentação no Shopping de Industriamento Cultural, na conhecida Pontífica Crucificada. Na banca estavam Escanteio, Professora-Sem-Nome e Crucificado-de-Muleta. Ora, Professora-Sem-Nome poderia ser mais uma personagem, pois depois ela lecionou para minha turma a cadeira de "Moral de Cuecas II", lá pelo oitavo semestre da Faculdade de Gravata, da mesma Crucificada. Bom, encontros e desencontros. Naquele ano, fique ciente(!), era minha primeira apresentação como exótico. Meu primeiro trabalho filiado, digamos assim. E não há como negar a importância disso! Eu apresentei nervoso, como não poderia deixar de ser. Mesmo assim eu tinha domínio do conteúdo e, apesar ainda dos staphylococcus, me saí bem. A pesquisa era sobre a instituição do Resto Desgraçado para Diferenciados no já famigerado Mundo dos Normais, Probos e Não-dissonantes. Não poderia não ser crítica: era uma determinação arbitrária, segundo a qual todos que tivessem um cromossomo "h" a mais, deveriam plantar bananeira por até 360 dias, sem cair! Lembro que eu queria muito ganhar o prêmio em disputa - uma gravata em bronze com uns dizeres na base cujas palavras ordenavam-se em torno de algo como verdade e beleza. Ser destaque era um reconhecimento que eu desejava! Finalizada a apresentação, o Crucificado-de-Muleta me perguntou: "Então tu achas que o Bernandinho Alemar é bonzinho?!?"
Bom, é possível imaginar o que isso significou?? Era ridiculamente preconceituosa e violenta essa pergunta! Independentemente de eu estar iniciando as leituras de Frederico, Sigamundo e todo referencial exótico - tal como aquela gravata amarelo-choque com peixinhos e tubarões da mesma cor - a pergunta dele não tinha referencial! Não precisava dele! Ou, antes, não precisava mascará-lo nem um pouco, pois seus olhos moviam-se como moinho e o fetiche por esse movimento exurgia sarcasticamente. Ora, ele (que as vezes gosta de ser chamado de Ele) não queria atacar meu referencial! Ele não queria saber das minhas pesquisas, nem do meu marco teórico. Ele não queria saber o que eu poderia ainda desenvolver com o meu pensamento. Ele queria me derrubar! Como chutar uma escada de madeira bem no momento em que a pessoa que estava subindo consegue chegar no último degrau - da pequena escada.
Ora, as pessoas têm medo!! E isso aumenta enorme e incontavelmente o preconceito delas, independentemente do bizarro-discurso-posterior-de-salvação. Qualquer semelhança não é mera coincidência; é "mera" violência!"
Essas eram as últimas palavras da menina Luta. Já não era mais tão menina - visto que, condenada por violência doméstica, aprendera muito plantando bananeira. Ocorreu quando ela resolveu bater com a madeira de uma escada na cabeça, rins e pênis de Cruficidado-de-Muleta. Havia ganhado muita força e maturidade tendo que plantar bananeira, mas não resistiu. Foi para outro mundo.
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4 comentários:

  1. HAHAHAHAHAHAHAH

    ESTUPROU o SARCASMO.

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  2. “O medo é o momento brutalizado, petrificado, mesmificado. É a mais sutil defesa contra a novidade verdadeira.” (SOUZA, Ricardo Timm de. "Em Torno à Diferença". RJ: Lumen Juris, 2008, p. 37)

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  3. Os preconceituosos “refugiam-se no sonho de um mundo puro, causa de sua causa, onde pudessem ser medíocres em paz, sem a ameaça do diferente e as cobranças, para eles insuportáveis, da racionalidade”. (...) E o preconceito “nada mais é do que o medo; mas o medo por excelência neurótico, impossível, eterno, conceitual, cujo sofrimento não se auto-explicita – a miséria.” (SOUZA, 2008, p. 41 e 43, respectivamente)

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  4. "Shopping de Industriamento Cultural"!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    FANTÁSTICO!

    Gargalhei lendo a verdade.

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Deguste e devaneie...