segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

A Boa e Velha Procura do Impossível, ou: "helenismo e pessimismo"...

Havia um velhinho que fugia do grande Rei. O velhinho era culpado, quanto à isso não havia dúvida. De qualquer maneira, bastava que ele respondesse aquela que era a questão mais importante da vida do poderoso Rei. Poderia surgir, então, o questionamento: o velhinho ouviu, pelo menos, a pergunta, ou fugiu sem dar atenção para o todo-poderoso? Ora, isso já faz parte da pergunta que lhe foi direcionada, mas que não precisou ser ouvida. Exato! O velhinho era um mago. Ou qualquer outro adjetivo que escape ao poder causal de desvelar as coisas. Talvez vidente, um sábio, ou qualquer outra coisa. O fato é que era cego. E isso basta. Bom, se o Rei é quem possui todo o poder, como pode um poder escapar-lhe? E justamente o poder que deve ser o maior de todos? Antenção! Nunca foi possível saber ao certo se o Rei era mesmo um Rei. Há outras versões da história. Numa delas ele apenas era conhecido como Forte. Deve-se ter muita paciência com essas histórias, pois suas origens remontam há mais de três mil anos e as traduções do grego nunca foram o forte da Era Moderna. Por isso, em meados do século dezesseis, forte passou a ser Justo e, lá pelos oitocentos justo passou a ser Belo. Bom, não há como negar que aquele que já foi forte, belo e justo não seja Rei. Então, modernamente deu-se esse status e a questão ficou resolvida. Ora, independentemente do nome que lhe ficou marcado na história, não havia cabimento o fato dele não possuir a resposta que desejava. Não poderia. Não era justo! Mandou caçar o velho que, sem ter podido ouvir a pergunta, empreendeu fuga. Sabia que lhe procuravam. Sabia que deveria responder. Sabia que o poder do Rei lhe sugaria as entranhas até obter a resposta. Mas sabia também que era impossível ao Rei compreender a resposta. A tortura era certa!
Amarrado, amordaçado, amaldiçoado, o velhinho cuspiu junto às palavras, proferindo: "por que perguntas o que não te é possível compreender? Imbecil, asco, logocêntrico assassino! O melhor de tudo e o mais preferível para o homem é, para ti, inteiramente inacessível: não ter nascido."
Atirado à floresta, o velhinho sentou chorando, sangrando, uivando, misturando pensamentos, ódios e amores, enquanto sua "previsão" ocorria: o Rei nada compreendeu. Depois disso passaram-se meses, anos, séculos e o mesmo Rei consultou diversos sábios. Não queria mais saber o sentido da vida e o que era melhor e mais preferível para o homem. Queria, agora, entender apenas o que lhe havia dito o velhinho. Promoveu, bailes, festas, casamentos, teatros, chamou filósofos, religiosos, sagrados e profanos e, por fim, jamais compreendeu as palavras que aquele velho mago proferiu tão violentamente.
Ainda hoje o Rei está a procura da resposta. Ele mora nos cantos mais escondidos de cada um dos seus súditos - que, para lhe ajudarem, também procuram quando sobra tempo entre bailes, festas, casamentos, teatros, ou, as vezes, nesses lugares mesmos. Tiveram alguns que conseguiram escrever livros sobre essa tal procura; um chegou a inicar um texto com a seguinte frase: "o trágico é impensável; devemos, no entanto, pensá-lo".
Nas noites de Lua cheia é possível ouvir os gritos e gemidos do velhinho Sileno, apunhalando: "para ti, que vives, o trágico é impossível!"
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2 comentários:

  1. ANTES esse sabio profano desse mais as caras, no DARK SIDE da MOON de alguns... antes ele, alias, HABITASSE realmente uns que outros que parecem (ou se julgam) descentendes exclusivos da linhagem desse REI (e depois que o "TEMPO" mudou alguns de seus sobrenomes morais).

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  2. O rei ficou tão ridículo que virou palhaço. Hoje manda rindo de ser grotesco.

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