segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

O Outro da Academia, ou: A Vida...

Alice, acostumada ao cinza dos dias brancos de universidade, conversava suavemente com Tropeço, há tempos desejoso de arco-íris mas impossibilitado de vê-lo. Não fosse a bela sintonia, ambos teriam atribuído aquela sensação à visão privilegiada que tinham naquele momento - certamente eternizado. Ou, talvez, a sintonia fosse um acordo mesmo com o céu - como se pudessem ter combinado. Falavam sobre encantamentos, desejos, bocas, olhares, beleza, música e paixão, mesmo que em palavras a conversa estivesse restrita ao pôr-do-Sol. O mais impressionante é que as palavras combinavam com os olhares - que diziam muito mais do que sons significativamente articulados. Expressiva, Alice queria mostrar ao amado a metamorfose que se operava rapidamente no céu. De qualquer maneira, enxergva-o no horizonte. Brilhava ela mesma tal como as estrelas que aproximavam-se lentamente. E seus olhos eram tão que não adiantaria esperar pela bela Lua, pois esta ainda estaria aquém daquela força. Era esse o clima: temporal. Mas não aquele temporal de muita chuva e dia cinzento; um temporal de possibilidades existenciais, de ainda poder dizer que o coração pulsa ao mesmo tempo em que os olhos suaves contemplam os encontros. Temporal de momento, de tempo, de espera e, como não poderia deixar de ser, de esperança. Era justamente aquele momento que Tropeço tanto esperara. E, por mais surreal que pareça, não era outro momento que Alice desejava. A impossibilidade de dizer e a possibilidade de dizer sem palavras excedia os limites da compreensão. Talvez Tropeço realmente prefira Dalí à Picasso, mas o gosto incisivo e sutil de quem contempla Bach só tem a depor à beleza da Alice. Ora, apesar das casas, dos barcos e do tronco partido como se fosse banco, ainda existiam árvores. Apesar da fumaça, ainda existia cheiro e, apesar deste, o perfume. Borbulhavam. Irrompiam. Exurgiam. Tinham tempo.
Tropeço entendia, então, depois de muito esfolar os joelhos, o que significava conversa. Sentia, também, o que era encontro. E não pôde deixar de concordar com as mãos de Alice, quando estas o abraçaram e compartilharam sem palavras: o pensamento é uma vergonha na mesma medida em que a academia é uma mentira!
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9 comentários:

  1. Advinhas sentimentos, sentes sentimentos, és sentimentos...

    Por ti: minha cabeça canta, eu leio, suado...

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  2. A felicidade é uma coisa boa
    E tão delicada também
    Tem flores e amores
    De todas as cores
    Tem ninhos de passarinhos
    Tudo de bom ela tem
    E é por ela ser assim tão delicada
    Que eu trato dela sempre muito bem

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  3. "A moderação de comentários foi ativada. Todos os comentários devem ser aprovados pelo autor do blog."

    Censura?

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  4. Juriká,

    Enquanto te leio o céu se veste cinza, dessas gotas que golpeiam os cristais.

    Triste e belo teu alegado contra o outro lado da vida de mentira, desta que ainda consegue viver com a cara oculta.

    Receba sempre... a minha admiração por tudo que escreves!...


    (a)braços,flores,girassóis :)

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  5. Mayorinha, tenho que me acostumar com essa história de moderação...
    Mox, o post não mudou. No máximo uma ou outra palavra errada que eu corrigi...
    Zé, gracias pela lembrança da música que não sai da minha cabeça!
    Lampejos, muito obrigado pela poética interpretação!

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  6. Parabens xandeco! sempre q posso passo por aqui pra apreciar o teu talento! computadores de muitas partes do mundo leem teus textos haha

    bjo Marcel

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Deguste e devaneie...