Prostituto, que não se acreditava dotado de qualquer atavismo nem se via à imagem e semelhança de um selvagem, seja ele bom ou mal, tomava chimarrão. Bueno, certamente o consumo de ervas, qualquer que seja ela, não deixa incólume o consumidor. Contemporaneamente, porém, a erva mate não é considerada perniciosa à saúde moral das pessoas - mesmo que, por vezes, haja sutis sintomas de libido aflorada. Ora, pouco importa a erva quando está em questão a culpa. E a culpa da prostituição é, tautologicamente, inesculpável. Tal como aquele argumento que, como um circo, ri para proporcionar risada e legitimar sua própria existência risível - círculo propriamente dito, apesar do circo sempre belo. Claro, Prostituto não ignorava a eterna identificação entre beleza, bondade e justeza - o exemplo mais cinza aprendera à mater-nidade: pais devem ser pais apesar de o serem. Uma questão con-sagrada de autoveneração que há dias já não lhe incomodava, talvez porque... Não. O porque esfacela e isso é para outra estória. De alguma maneira o chimarrão estava doce. E não pense o leitor que isso é coisa boa, pois apetecia-lhe bem amargo. Certamente a culpa era da Mentira que, tomou um pouco e lhe pediu que continuasse a tarefa sem mais interpelações. Burocracia podre pensava Prostituto. Pensamento burocrático apodrecia(,) Prostituto. Não poderia ter calado diante de tamanha bizarrice. Deveria ter calado! "Isso é uma mentira", disse. Mas muito além do erro ser impossível o pensamento é envergonhadamente culpado, e, por isso, teve de ouvir: "Bom, se eu for discutir contigo o conceito de mentira...". Foi aí que, no final das contas, cogitou ter sido um dia de aprendizagem. Aprendera a ficar quieto diante da mentira, tal como a desviar das redes de pesca.
O palhaço é belo porque sabe que é palhaço e, principalmente, admite ser palhaço. Ele não garante o gargalhar causado por sua gargalhada com os dentes do leão, a gargalhada de (quase) todos é legítima. Eu sou fã dos palhaços de circo, embora palhaços que não admitem nenhum grau de palhaçada também causem gargalhadas. Mas se eu for discutir contigo o conceito de palhaçada...
ResponderExcluirZé, eu também sou fã dos palhaços e dos circos. Não sou fã porém de muitos pseudoacadêmicos verdadeiramente antipalhaços: além de não crerem na sua "palhacice" ainda desprezam os palhaços. Em relação às gargalhadas são sempre belas, principalmente aquelas filhas de sutis ironias. A questão toda é esse tal CONCEITO... plenamente esfacelado e, paradoxalmente, plenamente PENSADO - como salvação... cômico, claro, digo, cômico, cinza... violento - como uma rede de pesca.
ResponderExcluirValeu Zé, como sempre incisivo.
O Palhaço Do Circo Sem Futuro
ResponderExcluirSou palhaço do circo sem futuro
Um sorriso pintado a noite inteira
O cinema do fogo
Numa tarde embalada de poeira
Circo pegando fogo
Circo pegando fogo
Circo pegando fogo
Circo
(Palhaçada)
E a lona rasgada no alto
No globo os artistas da morte
E essa tragédia que é viver, e essa tragédia
Tanto amor que fere e cansa
Lirinha, Cordel do Fogo Encantado
Esta aberta a liga CLAUSURA 2009 de METAFORAS.
ResponderExcluirE la vou eu:
Jurika: malandro, constantemente obrigado a se prostituir conscientemente em nome de mentiras - necessarias, ou necessariamente DRAMATICAS - , diz amem a santicos de araque como parte de seu plano diabolico (e de suas obrigacoes burocraticas), mesmo sem crer - nem um pouquinho - em um Deus que nao saiba bailar e em um mestre que nao ria de si mesmo.
E la vai o Cavalo de Troia para dentro dos muros do logos, levando, no seu ventre, uma DISSERTACAO...
A ultima MODA nos bares GAYS, ou vi dizer, esta em ter um blog com moderador de comentarios...
ResponderExcluirA única atitude crítica possível é botar fogo no circo.
ResponderExcluir?
Não me parece muito diferente, do ponto de vista dos fundamentos, Guntánamo e moderar comentários.
ResponderExcluirAcostumados a fazerem coro às regras, amar as leis e desejar a proteção advinda do seu fiel cumprimeito é psicanaliticamente muito engraçada a reação contra a moderação de meros comentários num local virtual frequentado por pouquissímas pessoas.
ResponderExcluirAliás, começo a pensar que, dado aos meus desvarios, uma das minhas necessidades corroborativas do ius é colocar essa regra no meu blog. Menos mal que, enquanto isso, posso desafogar minha volúpia/insanidade crítica nas instituições, nos tronos, palácios, vergonhas e gravatas que representam esse ser/fazer/pensar "direito".
Sugiro, então, abolir o direito - já que é também ele que legitima Guntánamo. Falo sério - se é que um Palhaço Prostituído Alucinado tem esse "direito"... Acompanham-me ou preferem dizer que não há sociedade sem direito, assim como todo o tradicional pensamento que só pode zombar de si mesmo - ainda que não o faça?
Escrevam, publiquem, gritem, berrem, gozem contra o direito, talvez um blog não atucanará tanto...
Entre divertidissimos pensamentos a moderação e as suas críticas têm aqui qualquer função... e, pasmem, ela, aqui, não precisa ser justificada.
GD, adorei teu comentário e tuas metáforas! Obrigado!
ResponderExcluirMayora, citação perfeita!
Mox, penso que o circo que deve pegar fogo é o circo monumetal da existência jurídica - filho aguerrido do positivismo.
Abraços e muitos sorrisos!!!
BAITA DIÁLOGO
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