Prometeu enralado
O princípio científico básico de que "nada se cria, tudo se transforma" é a expressão do paradoxo. E é também uma alucinação. Aliás, é antes e futuramente uma mentira. No mínimo é a "representação" do i-mundo que significa pensar cientificamente. Sim, i-mundo de tudo aquilo que tu conseguires pensar que pode conter essa junção se signos - para além dela mesma e da própria con-junção. E por isso há um erro. Claro. Eu disse claro! Acontece como se pela promessa da felicidade terrena fosse possível aniquilar a ideia do novo - que é justamente o que dá/deu sustentabilidade alquímica/mágica/mística/filosófica à crença "logística". Sim, logística de logos e de mercado ao mesmo tempo. "Mas que absurdo!", diz o leitor atento, pois se fosse assim, nem haveria como pensar direito. Ora, mas isso realmente - de real, de mais que (de) direito, de mais que de pensar, de maior do que filosofar, de tudo isso e mais um pouco, de dor - indica que o esfacelamento ocorre implosivamente. Esfacelamento da razão calculadora/instrumental que relega heranças inclusive à racionalidade /jurídica/de direito/de merda. E é muito engraçado como intransigentemente não há, fundamental e radicalmente, um questionamento nem uma tentativa de matar o pai - ou mãe, já que é dA razão que falo. Parece mesmo que a psicanálise não é senão mais um instrumento sugado por essa racionalização que, assim, instrumentalizando, assume explicitamente sua alucinação. Aliás, falando em avesso e direito, não são as garantias instrumentos? Bom, a corrosão dessa racionalidade ocorre implosivamente, isto é, desde as suas entranhas, desde o âmago da sua própria insustentabilidade, para além da explosão que deseja provocar aos seus outros. Mas, quando "tudo se transforma" não é a própria morte enquanto limite à racionalização alucinatória que resta aniquilada?, ou, assimilada? - para ser justo. E apesar do teu desejo atento, amigo, a morte resta desvanecida no seu poder metafórico de representar o irracionalizável. Quase como a sentença poética "tudo o que não era ela se desvaneceu..."
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É, dizia-se que a morte é a primeira marca da alteridade.
ResponderExcluirLi o texto e me veio, agudamente, As nuvens, de Juan José Saer. O índio Josesito e o desvairado Troncoso e sua arenga infinita, que, após dias no deserto, acaba "calcinado interna e externamente", encontram-se em uma paisagem onde a realidade - da qual até a morte foge - é mais louca do que qualquer concepção de loucura, porque é real... e, não obstante, a linguagem lhe é fiel. Como a grande literatura consegue ser grande apesar de sua impossibilidade!
ResponderExcluirSÓ ACREDITO NO SEMÁFORO.
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