domingo, 7 de setembro de 2008

Nós de Gravata e Nós na Garganta...

"Os Personagens, tanto em músicas quanto em literaturas, são construídos com o fervor angustiante daquilo que precisa ser dito, mas que não pode sê-lo senão por metáforas. Por outro lado, os personagens não passam de tentativas, quase como os conceitos, mas ainda mais brilhantes, pois, menos arrogantes, sabem-se peneiras, cujos poros não engasgam em uma construção - deixada sempre para os olhos do leitor; ou, antes, não apenas para os olhos, mas, fundamentalmente, para todos os sentidos de quem se permite estar à flor da pele. Do lado oposto ao que denomino Personagens, encontram-se as Gravatas, que pretendendo apenas embelezar, no sentido literário mesmo, acabam por agrilhoar, no sentido médico-jurídico. Elas poderiam permitir, a princípio, abrir o horizonte de compreensão acerca daqueles que as usam, assim como, poderiam fundamentar a percepção daqueles que, usando-as ou não, observam as múltiplas cores, estilos e fusões que ali, no pescoço, podem e devem indicar algo. Mas é justamente aí que ganha, surpreendentemente, fôlego (já que se trata de nós de/na garganta) a questão, pois o Outro, os homens, os animais, as coisas, não chegam à pele humana primeiro por essa compreensão, mas, antes, é o encontro mesmo que exsurge, enquanto manifestação do que é irrepresentável, tal como o personagem, o cheiro, o som, o tato..."
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Essa era a alucinação que apontavam com toda razão ao acusado, pois, ao responder "por que matou(?)", o acusado usava, à Merseault, destas palavras. Juízes, promotores e advogados, todos cumpridores do seu dever salvacionista, engravatados, tinham nós na garganta. Era um caso de parricídio. Após o caso ter sido remetido para o devido Instituto Psiquiátrico, foi usado por alguns como exemplo em palestras, como prova de que, assim como a gravata, a sanidade está do lado das leis, da moral e dos costumes. Pouco tempo depois daquele (des)encontro judicial, o acusado-enfermo apareceu morto - havia se enforcado com uma gravata que roubara do pai e permanecia escondida até esse momento como prova inexistente da materialidade daquele delito.
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terça-feira, 2 de setembro de 2008

O Detalhe: ou, sobre restos indisíveis, incapituláveis, indefiníveis, inconceituáveis...

Exposição
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Ferir os objetos, desbodrá-los
(dobradiças do perdão e da culpa)
estátuas atrás das portas.
ladainha monocórdias, nostalgias
a santa no aquário, serena,
num mundo submerso
em cada ato, em cada obra
falam e calam, luz perpétua.
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Despir as imagens dos objetos
(lucidez específica e eficaz).
Chamem Iolanda, gritem.
Vigiai os olhos de Iolanda.
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Mudar o modelo das formas
(vertigem do restituído à vida)
com a última distração: o detalhe.
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Jayme Paviani
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segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Metamorfoses... Ou: questões sobre tempo, vida e borboletas...

"As borboletas são insetos da ordemLepidoptera classificados nas super-famílias Hesperioidea e Papilionoidea, que constituem o grupo informal Rhopalocera.
As borboletas têm dois pares de asas membranosas cobertas de escamas e peças bucais adaptadas a sucção. Distinguem-se das traças
(mariposas) pelas antenas rectilíneas que terminam numa bola, pelos hábitos de vida diurnos, pela metamorfose que decorre dentro de uma crisálida rígida e pelo abdómen fino e alongado. Quando em repouso, as borboletas dobram as suas asas para cima.
As borboletas são importantes polinizadores
de diversas espécies de plantas.
O ciclo de vida das borboletas engloba as seguintes etapas:
1) ovo
-> Fale Pré-larval
2) larva
-> chamada também de lagarta ou taturana,
3) pupa
-> que se desenvolve dentro da crisálida (ou casulo)"
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
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Olha, alguém se contenta com isso? Alguém realmente acha que uma borboleta é isso? Ou apenas isso? Quem é o louco ou o bobo (Shakespeare) que deixará de sair por aí dizendo isso? Aliás, o que significa tudo isso? Será que a borboleta não é algo apesar de tudo isso? O que pode caber nesse "apesar"? O que pode existir além e aquém do que conseguimos dizer? O voar (ou "volar") é prescindível? Como deve ser viver apenas um dia? Faz diferença se for viver duas semanas? Isso não significa nada? Ou, a metamorfose não significa temporalmente alguma outra coisa do que aquilo que é possível dizer sobre ela? Será permitido metamorfosear-se? Como deve ter surgido algum dia a vontade de proibir as metamorfoses? Qual o tamanho da angústia daquele que se percebe metamorfoseado e daquele que não se permite metamorfosear?
Talvez a borboleta seja realmente o animal mais lindo que exista...
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