segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

---

---

De corpo inteiro ele sabia: o porão também olhava-o. Impressionava por seu algo, por seus algos. Especificamente, Algo vinha do porão, e destoava, impressionava pela expressão. Talvez o cheiro, talvez a cor, ou, antes, aquilo que o cheiro e a cor manifestam em choque com os olhos muito precisos de Personagem – a coisa que olfativa e visivelmente manifesta-se apenas no choque com esses olhos, os seus olhos.
Por outro lado, o porão mesmo, úmido e multicinza, amedrontava. Sua imagem própria, a imagem de algo tangente à realidade, algo tão real quanto a margem do próprio real, levava aos olhos e aos pêlos de Personagem a sensação de incapacidade frente às coisas que emergiam em imagens cintilantes.

---

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

--


"O pensamento fascinado pela quimera de algo absolutamente primeiro tenderá a reclamar por fim essa irredutibilidade mesma como algo derradeiro".


T. Adorno, Dialética negativa,
parte I, cap. 2, "Ser e existência".


--