terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Devaneios...

Depois do séxulo XX o mínimo contentamento com qualquer Instituição é algo risível, para não dizer, ridículo; no mínimo, vergonhoso.
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O exótico não é exótico, na ridícula percepção do vesgo. Ele é propriamente o ridículo, pois, exótico, não sabe a diferença entre ar e água, para citar ESCHER.
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Eles enxergam, os cegos. Mas não enxergam o que tocam. O que lhes toca é, por isso, sempre exótico - impossível ser compreendido. Até que o exótico se transforma em cego e enxerga tudo branco, na sucção da racionalidade.
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Há sempre uma distância entre o percebido e o que se faz com o que é percebido. A racionalidade cega identifica-os e não é capaz de perceber a distância entre o eu e o eu mesmo.
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Os cegos são tão cegos que conseguem não ver que brigam consigo mesmo.
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A sucção é um movimento. Mas se eu disser que as borboletas alimentam-se por esse movimento eu não estarei explicando nem sucção, nem movimento. A borboleta é sempre incapitulável e invisível para a cegueira branca - por isso ela só aparece de vez em quando.
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Cada louco acredita sempre e cada vez mais nas suas próprias ilusões. Mas não crê que são ilusões. Crê que a ilusão é sempre a ilusão do exótico que não compreendeu o movimento e, por isso, ainda quer lutar contra ele.
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A forma de compreensão lógica da realidade é esse movimento. Dialético. Esclarecido. Sugador de possibilidades outras - exóticas.
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O movimento é uma defesa. Eterna defesa do eu contra si mesmo, numa proibição da auto-crítica e numa veneração sado-masoquista. Seria um circo se esse não fosse uma arte. É, por isso, um círculo - o que sobra do circo quando se extrai a possibilidade de cuspir na cara dos expectadores.
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A crítica que não percebe que a voz treme é sempre uma pseudo crítica - que serve apenas para festejar o próprio movimento de totalidade. Mas quando a voz treme, a primeira punhalada vem dos risos que, incompreensíveis, são também falsos.
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O pensamento fora do circo branco da razão é maior que a própria mente; é maior que o próprio corpo. Por isso, realmente, certas vezes, as portas são maiores e/ou menores do que quem as abre. Por isso, algumas outras vezes os buracos das portas são mais amplos do que a sua abertura oficial, falsa abertura - para citar DUCHAMP.
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A capacidade do artista é a condição de fuga em direção à metáfora. A metáfora é o que resta de realidade da realidade impossível dos conceitos. É a condição e a possibilidade de contar toda uma outra história por trás do que se pinta, borda, esculpi, conta, narra, encena... Ora, por isso o pensamento lógico não a suporta. Também por isso ele é uma vergonha!
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Uma tela não é uma tela é uma história - uma narração.
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5 comentários:

  1. Juriká,

    “Uma tela não é uma tela é uma história - uma narração”. Belas metáforas...

    Metamorfoseando.
    Nada se perde tudo se transforma. Alguém escreveu assim antes de mim.

    Que possamos seguir buscando nossas narrações na tela da vida.

    Seus comentários são exatos!...

    [obrigada]


    (a)braços,flores,girassóis:)

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  2. Mas o pensamento lógico tb é um pensamento metafórico. Só que se tratam de metáforas "mortas".

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  3. Lampejos, muito obrigado!

    Mox, o pensamento lógico só é pensamento metafórico para quem critica a alucinação lógica. Os conceitos lógicos só estão mortos para quem explode a lógica. Os lógicos, por mais bizarros, não se creem bizarros.

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  4. EXCELENTE, vou comentar com calma dopo.

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  5. Muito bacana!!! Agora já sei o que tu fazia naquele bloquinho enquanto suportavamos o circo!

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Deguste e devaneie...