Há pessoas acostumadas a serem egocêntricas. Sua potência existe na medida da sua fraqueza/insegurança. Com essas pessoas deve-se jogar, brincar, rir, ironizar, fingir.
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A aparência de uma coisa encobre seus outros contrários e ganha efeitos de realdade enquanto crença. Por isso existem perdedores e pensamentos de perdedores para a lógica social hodierna. É uma pena, mas essa crença é o escondeirijo da fraqueza, do machismo e da maioria dos contemporâneos.
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Quem não tem sensibilidade para adimirar flores não tem sensibilidade para tolerar as fraquezas do amor.
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Todos são fracos, até os que se creem fortes. Contemporaneamente força é sinônimo de poder econômico. Por isso alguns fracos escondem sua fraqueza na posse de carros e outros fetiches.
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O quadro em que Magritte faz o pé transformar-se em bota é a metáfora do homem contemporâneo que se transforma em carro, em máquina, em casa, em relógio, enfim, que deseja a aparência porque não suporta sua bizarrice. Caricaturas, sempre.
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A realidade é deprimente. As pessoas são deprimentes. Penso, cago, mas não ando.
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Existem amantes das instituições e críticos das instituições. Aqueles são, para mim, ridículos. Bizzarras máquinas que se dedicam à própria subordinação. Autômatos veneradores da anti-vida. Porteiros da lei. Assassinos. Não sabem sorrir porque não sabem se conhecer senão como caricatura, simulação, dissimulação.
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Rir verdadeiramente é se entregar, se expor, dar flores. Mas a solidão é cinza.
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Perceber é dolorido. O que fazer com o que se percebe, angustiante. Parar é necessário; cheirar, escutar, tocar, olhar, são, sempre a sua maneira, viver.
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Para mim o problema das instituições-caricaturas é que pressupõe uma aparência de beleza que se já não está, estará. Essa mentira é violenta e as consequências aparecem na pele de seus clientes. Não tenho a mesma opinião sobre o desejo subjetivo de que aquela aparência não seja uma caricatura, que tu exemplificou com muita beleza através do Magritte. Penso que a idéia de que devemos ser o que efetivamente somos parte de um pressuposto alucinatório da dicotomia verdade-aparência. O cara que deseja ser o carro que tem, quando deseja, já está sendo. E pode ser várias outras coisas também, na verdade sou eu que só estou vendo a aparência dele, não ele. O homem essencialmente superficial que se vê SÓ como espelho do que possui é apenas uma das facetas desses homens que a teoria cria, existem muitos outros dentro dele. Basta "cheirar, escutar, tocar, olhar..."
ResponderExcluirZé, gostei da proposta de debate. Obrigado!
ResponderExcluirCara, muitas vezes me questiono sobre a minha incompreensibilidade do contemporâneo e isso permeia todas as minhas postagens.
Beleza. Passarei as minhas defesas que comportam também coisas acerca da outra postagem sobre Devaneios.
Não quis dizer que devemos ser o que absolutamente somos. Acho, sim que esse SER é inacessível. Mas também acho que existem mecanismos de proteção ao deixar-se ser. E esses mecanismos apresentam uma face egocêntrica da sociedade contemporânea que tenho enxergado. Por isso eu não aposto numa dicotomia entre verdade e aparência no sentido de aniquilar possibilidades outras de auto-compreensão e auto-crítica. Mas não posso negar o status de verdade bizarra que ganha a mera aparência de poder no dramático cotidiano contemporâneo: um mecanismo de proteção, de fuga, de insegurança na medida que ARROTA o contrário.
Ora, como eu escrevi, eu penso, cago, mas não ando, pois essas questões me IMPORTAM. E aqui acho que está a chave para eu mesmo me entender.
Concordo que o homem essencialmente superficial não exista. Por isso utilizei o termo crença.
Em relação ao "estar sendo" eu também concordo contigo, mas o que tentei dizer é que esse SENDO ontológico é ainda uma falácia em termos de vida, porque a solidão e cinza.
Bueno, aguardo numa tranquilidade jamais sentida por mim mesmo a continuação.. hehehe
Abração!
Concordo com tudo. Existe certa luta sendo travada entre a teorização embutida na existência contemporânea, que permite que a persona seja o que bem entender, QUANDO bem entender, e o aspecto classificatório de ser esta ou aquela coisa. É o que discutimos, me parece. continuei a discussão, de certa forma: www.sopademoscas.blogspot.com ABRACO e feliz natal!
ResponderExcluirZé, tua postagem sumiu do teu blog.
ResponderExcluirEu li, dei um tempo para pensar sobre, e quando fui comentar ela já não estava mais ali... hehehehe...
Viu?! Inventaste de falar sobre fantasias... hehehehe...
Posta ela novamente pra eu poder comentar teu belo texto!
Abração!