domingo, 19 de abril de 2009

Engrenagens de todo tipo foram usadas. Helicoidais, retas, hipóides e, pasme, até as cônicas - que nem por isso perderam o seu peso cômico. Dentre tantas peças, foram as engrenagens de parafuso sem fim que surpreenderam consideravelmente o próprio artesão. Metálicas, eram todas claras; digo..., claro, eram todas metálicas, pois um dos principais objetivos consistia na possibilidade de refletir a claridade. Todas as peças, quase que desordenadamente, davam a impressão de formar um objeto muito simples: uma lâmpada. Diga-se de passagem, uma bela ideia. De fora, uma lanterna muito bem planejada fazia as vezes de refletor e, apesar disso, era parte essencial do conjunto, por assim dizer - iluminava a lâmpada metálica formada pelas engrenagens. Apesar disso, por incrível!, ainda sonhava.
E sonhando com a futura exposição, o artesão via-se, então, em dificuldades. Além da eventualidade inescapável, também não conseguia fugir ao eixo do inominável. Nominar essa primeira "obra" de "lâmpada" parecia-lhe muito banal; "labirinto", "lacunoso" ou "lápide" pareciam-lhe, porém, muito particulares. Passou, então, para a letra M - nomeou Metáfora.
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2 comentários:

  1. Não importa que aquela luz realmente esteja deixando algo mais visível - ou sequer que realmente esteja iluminando alguma coisa - pra alguns obcecados são os kilowats que importam, por mais que a luz alta na estrada só sirva pra ofuscar a visão de quem vem.

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