quinta-feira, 20 de maio de 2010

"Deu a lógica".


Para a concretização da sua “lógica”, a “lógica do futebol”, é imperioso que numa partida ganhe o melhor time. Claro que não basta ser o melhor time em abstrato, “no papel”, ainda é preciso jogar melhor a partida do que o adversário. E, obviamente, não é sempre que o melhor time ganha por jogar melhor, e as variáveis que consubstanciam este não-acontecimento da “lógica” tampouco podem ser compreendidas pela mera análise do “jogo jogado” em si mesmo. Na partida entre a Branca de Neve dos sonhos brasileiros e o Mosqueteiro gaúcho, ganhou a qualidade dos jogadores meio-campistas do time alvinegro, venceu a “lógica” mesma e os defensores dela. A primeira partida vencida pelo Grêmio Porto-Alegrense não lhe proporcionou uma boa vantagem para o segundo jogo; vantagem, aliás, que serviu também à “lógica”. Os noventa minutos finais do jogo, disputados na praia de Santos, foram a demonstração de uma partida equilibrada, na qual o Grêmio Porto-Alegrense conseguiu até o final da primeira etapa conquistar seu objetivo através da apresentação de um futebol, no conjunto, de qualidade. Mas, no início do segundo tempo um lance de muita perspicácia do jogador Paulo Henrique determinou o caminho que percorreria o resultado. O primeiro gol sofrido pela equipe gaúcha provocou uma instabilidade já recorrente na esquadra que, a partir disso, não teve condições de atacar de forma aguda e certeira a meta santista. A equipe praiana joga um bom futebol. É um bom time. É, literalmente, aquilo que se conhece como time faceiro, cujos resultados para o clube têm sido apenas temporários; “times-empresa”, na linguagem global, formados já nas categorias de base. Mas é também uma esquadra sedutora; procura possuir os adversários já pela maneira que se posta frente a eles. – Sim, a postura e também a atitude que a confirma são envolventes, dominantes, sedutoras; procuram exatamente os olhos do jogo, para encantá-los e traí-los. Seduz o torcedor e os “comentaristas-esportivos”, o bobo e a corte. Forma de encarar o jogo que se manteve acanhada, desprezada, resistida pela equipe tricolor durante todo o primeiro tempo. E é claro que ninguém está imune ao feitiço, ninguém está ileso da possibilidade de uma prática, digamos literalmente, contrária aos “bons costumes” – e tampouco algum time, exército ou general podem se postar na condição de sãos e salvos em relação à maré que poderá levá-los a essa prática, atraídos. Nem os gaúchos, seus times ou seus prefeitos. O Grêmio Porto-Alegrense não foi capaz de resistir ao poder sedutor da equipe praiana e, por isso não logrou superar em qualidade, em vigor e em gols o futebol apresentado pelo seu adversário; parece que a equipe gaúcha ainda sofre a ausência de uma força que poderia se travestir num poder decisório, num poder de finalização mais arguto. O próprio campeonato - a Copa do Brasil - está sendo levado pela maré santista: uma maneira de perceber o jogo de futebol que não está exatamente em consonância com a concepção tradicional de futebol que, por exemplo, grande parte da torcida gremista gostaria de ver vestindo as cores do clube. Mas a Copa do Brasil está sendo levada por essa maré. E o Campeonato Brasileiro parece que irá tomar o mesmo rumo, prometendo a exibição de bastantes jogos ofensivos. No entanto, tudo pára em nome da Copa do Mundo; até a paradinha pára. O mundo mesmo é que não pára. E no mundo, a atuação política brasileira é medo estadunidense. Os esquizofrênicos mais seqüelados comemoram o feito: ser o novo foco da guerrilha armada mais velha do mundo: aquela dirigida contra o outro. Barack Obama, assim como a ONU, joga a sua Copa, literalmente, de modo ofensivo.

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2 comentários:

  1. Caro professor e atual peixeiro:

    agua corre pra baixo
    fogo sobre pra cima
    Grêmio PERDE na Vila Belmiro.

    enfim.

    Noticia sinistra foi o logicismo do futebol vencendo para suprimir a - TRAGICA - paradinha.

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  2. Vim pegar a tua lista de filmes. Muito bom! Betina.

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