Um pandeiro de couro tocado em círculo, uma cadência. Talvez seja de pele de cordeiro, não necessariamente bem esticada, pois esse pandeiro tem apenas um dente por intervalo. Uma cadeia que prende a própria música e até letra que, estando ali apenas para escrevê-la, supera-a (Aa) para afirmá-las em nome de si mesmas e ainda de outro, maior, mas que só se concretiza, literalmente em infinito absoluto, com a afirmação. Deve afirmar, portanto. O que acontece é uma sucessão de imagens proporcionadas pela letra da música. Da escrita escorre uma história circular, que é esta música. Uma música que não é, apesar de circular, uma tristeza, mas uma história de superação: a afirmação do coração e do cruzamento das avenidas. A história que os dedilhados do violão contam acompanha em todo o compasso os argumentos do violão de base; e o pandeiro está encenando uma espécie de guarda envaidecida por ser, em alguns momentos, porta-bandeira. A escrita, entretanto, é ordenada com frases nas quais as palavras mais incisivas não deveriam ser coordenadas, mas que só poderiam sê-las em nome da tensão que provocam, tal como a deselegância discreta de tuas meninas, duas imagens que irrompem perplexas da oração. Essas imagens são presas na cadência; contam também a sua própria história, e através do poema, através desse escrito “finalizado”, são contadas pela música. E as suas imagens são nebulosamente encaixadas no ritmo da escrita e da música; palavras-imagens que pululam como pulgas encaixotadas e, entretanto, só cumprem a encaixada “magia” do cubo mágico. O resultado já está ali, na música, incansavelmente repetido. Há, no entanto, uma oração que escapa; à margem do processo, como um borrão, assinalando o ápice estético da escrita que a própria música não consegue acompanhar e tampouco, nesse instante, pôde acoplar, atrelar, encaixar. É como se todas as tensões que a escrita pretendeu marcar ao longo do poema pudessem aparecer na imagem proporcionada pela oração és o avesso do avesso do avesso do avesso, numa expressão de enfrentamento crítico a respeito da historia mesma e da forma como ela é contada. Quero dizer, através das tensões das orações acobertadas pela segurança do sistema de encaixe das frases e amplamente enfeitiçada pela música ruim, através desse processo de superação que a escrita finalmente quer contar, fagulham, pululam, restos de imagens que denunciam: o contrário tem mais de um contrário. Contra isso, apesar disso, Caetano Veloso afirmou que “o avesso, do avesso, do avesso, do avesso” é apenas uma justificação métrica à frase melódica.
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Rastros...
ResponderExcluirAbração
Quinho
Oblíquo, não? (risos!)
ResponderExcluirAbração!