Salvador Dalí pintou Girafa em Chamas em 1936. A representação de uma mulher com gavetas abertas desde seu corpo, e com gavetas outras, ainda fechadas, pode imprimir um sentido crítico às crenças que fundam a pretensão de conhecer totalmente o humano. É justamente a essa impossibilidade que a figura da mulher irrompe como uma espécie de choque - choque da "alucinação sã" com o feitiço, o mistério, para os quais é insuportável o conhecer absolutamente.

E o mais bala é que realmente tem uma "girafa em chamas" na obra! Assim, pura e simplesmente, um bicho com pescoço comprido pegando fogo. Ninguém duvida disso, nem pensa duas vezes se é ou não uma girafa que tá lá queimando. Sim, é. Daí mais um pouco da genialidade do Dalí manifestada na obra: deixa claro somente aquilo que todos percebem facilmente. Quanto ao resto, que é o que realmente importa na criação, melhor que cada um pense por si.
ResponderExcluirE esse "pensar por si", ao que me parece, é uma das maiores deficiências da contemporaneidade... só com arte mesmo pra pensar o impensável e buscar entender, sem pretender absolutizar nem racionalizar, o que se apresenta diante de nós...